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Confira a reportagem que saiu no Portal do Envelhecimento:
Projeto Feliz Idade da Escola Santa
Marina
Mais
que possibilitar atividades culturais e artísticas, o Projeto é o encontro de
gerações, promovendo, além de tudo, a troca de experiências04/12/2012 - por Texto e fotos por
Alessandra Anselmi na categoria 'Entrevista'
Ela
é educadora por formação e paixão. Formada em Pedagogia pela PUC-SP, fez
Educação Artística e, aos 35 anos, decidiu cursar Direito na Universidade
Mackenzie. Incansável, Maria Luiza Gaspar Bonozzi, 66 anos, dava aulas
particulares de piano e tocava órgão na igreja da PUC, até receber, em 1969 a
missão do padre Vitório Escremin - pertencente à Congregação Palotina -, para
assumir um pequeno grupo de alunos da Escola Paroquial. Essa missão resultou no
que é hoje a Escola Santa Marina, na Vila Carrão, um complexo de 6 mil metros
quadrados de área construída, que abriga mais de 1000 alunos – entre Maternal,
Fundamental e Ensino Médio. Além de diretora, o que faz com maestria desde
1969, Maria Luiza está ligada ao catecismo e coordena o Projeto Feliz Idade que
desenvolve atividades culturais e de lazer cujo objetivo é atender a parcela
significativa da terceira idade da comunidade em que a escola está inserida.

Portal
- A senhora ainda estudava na PUC quando foi convidada para administrar o
jardim da infância e pré-primário? Como foi a transformação da pequena escola
infantil para esse espaço de hoje?
Maria
Luiza - Olha, não foi fácil. Eu estava no primeiro ano da
PUC, tocava órgão na igreja na missa dos jovens, quando o padre me convidou a
ser responsável por uma escola infantil. Comecei com três turmas, de jardim da
infância e pré-primário, na Igreja Santa Marina, aqui mesmo na Vila Carrão.
Ficamos lá por quatro anos. Certo dia, o mesmo padre me informou que eu teria
que sair dali, porque a Igreja havia firmado parceria com o Sesi, que em troca
dos empréstimos para as obras de ampliação da igreja, o Sesi iria precisar das
salas, e que por isso tínhamos que sair do local. Agora, pensa você, havia 80
crianças, para onde eu iria? O padre nos ofereceu o salão paroquial. Mas meu
pai tinha um terreno ao lado e acabamos construindo algumas salas. Depois o
padre nos ajudou cedendo todo o mobiliário infantil, o playground. Mais tarde,
com o incentivo de pais de alunos e autoridades escolares, em 1973 a escola
adquiriu a sede própria no endereço onde estamos agora. Até 1973 funcionou como
escola paroquial, depois não. Mas não troquei o nome, permaneceu com o nome da
patrona da escola, que é uma santa católica, Santa Marina, invocada pelos fiéis
como poderosa intercessora diante de Jesus nos casos de provações, doenças ou
calúnias. Por conta do nome, algumas pessoas pensam que somos uma escola
confessional, chamam-me até de “irmã Maria Luiza”. Mas não somos uma escola
religiosa, apenas trabalhamos os valores universais.
Portal
- Conciliar toda essa intensa vida de professora e diretora com a pessoal foi
muito difícil?
Maria
Luiza - Difícil foi, mas não existe um peso de
conciliação, porque quando se tem isso como missão, algo que se gosta
imensamente de fazer, o que existe é a felicidade imensa de realizar bem um
trabalho e compartilhar com quem se ama. Há um ano e meio estou viúva, fui
casada por 25 anos com Milton Dias Bonozzi que faleceu com quase 70 anos.
Ele era engenheiro químico e trabalhava numa multinacional, não tivemos filhos,
acho que porque me casei um pouco tarde, e a escola foi minha ocupação desde
sempre.
Portal
– E o Projeto Feliz Idade? O que é?
Maria
Luiza - O projeto visa promover a formação humana do
cidadão idoso ou em processo de envelhecimento, por meio da educação
permanente, visando a uma melhor qualidade de vida. O projeto só é possível
porque há uma equipe de voluntários do corpo docente da escola e pais de
alunos, responsáveis pela execução das atividades planejadas. Aliás, faço
questão de participar ativamente do planejamento das atividades e da execução.
Quero conhecer as pessoas, envolver-me com elas.
Começamos
alguns anos atrás como atividade escolar, homenageando os avós. A ideia partiu
da Tania, minha falecida cunhada, que na época era coordenadora pedagógica. O
projeto foi muito bem aceito pela comunidade escolar, alunos e pais.
Passaram-se alguns meses, e iniciamos a faculdade de Pedagogia, muito
bem-sucedida. Inclusive recebemos a primeira colocação no Enade da Zona Leste
em Pedagogia. A faculdade abraçou o Projeto da Feliz Idade e ficou algo
oficial. Hoje não temos mais a faculdade, mas o Projeto continua. Há alunos que
estão desde o início, em 2006. É uma educação permanente. Teve um começo, mas
não vai ter fim.
Portal
- O que é preciso para participar?
Maria
Luiza - Ter 60 anos no mínimo. O grupo é formado por
pessoas de vários níveis culturais - há pessoas de nível universitário, outras
muito simples, e as atividades são desenvolvidas para todas elas, e se dão
muito bem. A diferença cultural e social é fator que enriquece o convívio, o
aprendizado, e todos só têm a ganhar, inclusive a escola. Nossos encontros são
gratuitos, a escola fornece o espaço, convida os profissionais a participarem
do Projeto. Apenas quando há os passeios acabamos dividindo os custos, pois
dependemos de locomoção.
Felizmente
o interesse pelo Projeto cresce a cada ano. Há pessoas que vêm aqui um dia só e
não voltam mais, talvez porque tenham outra ideia do Projeto, pensam que terão
aula de vôlei, de bordado, de natação, por exemplo. Dentro do Projeto Feliz
Idade existem essas atividades, mas são recreativas, o momento da piscina não é
para aprender a nadar e sim de recreação. Já tivemos aula de biodança, de
relaxamento. Por isso, geralmente convido para assistirem a uma aula, ver se
gostam, e continuam ou não no Projeto.
Portal
- Os encontros são semanais? Quais as atividades desenvolvidas?
Maria
Luiza – Nossos encontros acontecem sempre de março a
junho e de agosto a novembro. Encerramos com uma confraternização, baile e
tudo. Eles trazem os familiares, o nosso professor de violão toca, os
inspetores de alunos vestem o melhor terno e formam-se pares, pois a maioria é
mulher, uma grande festa. Há atividades variadas. Hoje é show de talentos, mas
já tivemos danças, semana passada foi uma palestra do médico ortopedista,
Tamaro, que falou sobre os cuidados na terceira idade, como evitar tombos, os
benefícios da acupuntura, entre outros assuntos. Temos passeios culturais,
atividades esportivas, aulas interativas, como direito do idoso, informática,
artesanato, comunicação verbal e palestras com nutricionistas, dentistas,
fisioterapeutas, oficina de automaquiagem, além de apresentações artísticas nas
festividades da escola. Já fizemos vários passeios: fomos à Pinacoteca, à Natura,
ao Museu do Ipiranga, Museu do Imigrante, fomos almoçar no Sesc Belenzinho para
observar o balanceamento da comida. Toda atividade que a gente aplica tem um
objetivo. Se é apresentação de filmes, por exemplo, analisamos o gênero do
filme, se é romance, se é aventura, trabalhamos a mensagem do filme.

Portal
- E eles chegam a solicitar alguma atividade?
Maria
Luiza - Sim. Eles solicitam. Uma delas foi haver aulas de
internet, que já fizemos algumas vezes. Muitos já dominam um pouco, uma das
alunas falou comigo que antes apenas tirava o pó do computador, hoje já sabe
ligar, entrar no Programa da Ana Maria Braga para ver as receitas. Várias
pessoas fazem pesquisa e pedem para os netos ajudarem.
Portal
- Qual a participação dos alunos e pais?
Maria
Luiza - Convido os alunos do Ensino Médio, mas não é
sempre que eles participam, por conta do cronograma de aulas, mas vêm
geralmente uma vez por mês, e no Festival de Poesias tivemos maior interação de
pais de alunos, que vieram conhecer o Projeto Feliz Idade e participaram do
Sarau de Poesias, de autoria dos próprios idosos. Depois de participarem das
aulas de uma professora voluntária ensinando conceitos de métrica, poesia com
rima, sem rima, criaram as próprias poesias. E há uma poetisa aqui no grupo, dona
Conceição.
Portal
- Sempre se trata da importância da intergeracionalidade. Para os idosos e para
os jovens. O Projeto tem essa intenção?
Maria
Luiza – Exatamente. Há cerca de 20 dias veio um grupo de
crianças do quinto ano, com dez anos, fazer uma pesquisa com eles sobre as
brincadeiras que mais gostavam quando crianças, e se topavam depois do
resultado da pesquisa brincar com os alunos nas brincadeiras mais votadas. Eles
toparam. A mais votada foi pular corda e em seguida vieram brincadeiras como
amarelinha, passa anel e outras. Esse Projeto é muito rico pela oportunidade
que têm de todo esse convívio, de troca com os alunos. E é enriquecedor para
nós, pois aproveitamos muito a sabedoria que eles têm da vida, a sabedoria da
idade, de ter criado os filhos, e ajudam a criar os netos, os benefícios desses
encontros são mútuos.
Portal:
Como a senhora vê seu próprio envelhecimento?
Maria
Luiza - faz parte da vida. O importante é envelhecer com
saúde, disposição e qualidade de vida.
Troca
de experiências - Depoimentos
Chega
um grupo de alunas da Oficina de Jornalismo da professora Mayra Vellardim,
jornalista, assistente de comunicação da escola, que trouxe as meninas
para acompanhar o Show de Talentos.
Portal
- O que estão achando desse encontro de hoje e do Projeto Feliz Idade?
Maria
Luiza Souza, 13 anos (na sequência da foto ao lado: Beatriz Liza, Maria Luiza
Souza, Giovanna Vogel e Arissa Ayumi): “É a primeira vez que venho. Achei muito
bonito essa homenagem toda. Eu gostaria que minha avó participasse do Projeto
Feliz Idade. Já convidei, mas ela não quis”.
Portal
- O que acha de encontros como esse?
Maria
Luiza Souza - Acho muito importante porque muitas vezes a gente
vê uma separação, né?, idosos de um lado, jovens de outro, e não deveria ser
assim.
O
francês Horace de Paula, 81 anos, único homem da turma, não se intimida:
“Claro, eu gostaria que tivessem mais companheiros frequentando aqui, eles não
sabem o que estão perdendo. Comecei a vir por causa de minha falecida esposa,
ela me trouxe, depois que ela morreu me afastei por um ano, mas depois pensei:
‘Sinto falta dela em todo lugar, então não adianta, vou sentir aqui, vou sentir
em casa, então é melhor eu vir porque aqui posso participar desses aprendizados
maravilhosos, e é também uma espécie de homenagem que faço a ela vindo aqui.
Fora que todas essas pessoas, que são muito queridas. Sabe, sou evangélico, fui
pastor por 36 anos, às vezes elas me pedem para usar a palavra, às vezes eu
digo mesmo sem elas pedirem, e sempre que digo as chamo de “irmãs”, como é
costume lá na igreja onde frequento. Esse ambiente é de irmandade, de família.
São sete anos fazendo parte deste Projeto, puxa, é uma maravilha”.
Dona
Deolinda de Barros Cardoso, 82 anos, que participa desde o primeiro dia dos
encontros do Projeto Feliz Idade (2005): “Pode me chamar de Dinda porque aqui
ninguém me conhece pelo nome. Bom, eu trabalho na loja do meu filho, uma loja
de aviamentos, cama, mesa e banho. Bem em frente à escola, e a minha neta, que
estudava aqui, na quinta série, me convidou para participar do Projeto, e desde
então não parei mais. Hoje ela me pergunta admirada: ‘Vó, a senhora ainda está
lá?!’. Digo a ela que não vou deixar nunca. Toda terça-feira, às 14h30, tiro o
meu avental de trabalho e vou atravessando a rua, louca para participar das
palestras, atividades, rever minhas amizades que eu fiz ao longo desses anos
todos, isso aqui é para mim uma grande alegria”.
Beatriz
Brás Lourenço, 68 anos, é a mais nova integrante da turma, frequenta os
encontros desde maio. Para ela, que já sofreu dois AVCs, dois enfartos, teve
câncer de boca e veio diretamente do hospital, depois de ter passado mal na
noite anterior por conta da pressão alta (chegou de Pirituba – de pulseirinha
de internação hospitalar e tudo), para a Vila Carrão (são cerca de 24
quilômetros), logo se justifica: “Falei para o médico, me libera, preciso estar
lá, tenho uma apresentação muito importante hoje, não posso perder”.
Projeto
Feliz Idade:
Encontros
às 3ª feiras, das 14h30 às 17h.
Mais
informações:
SUPRIR
Comunicação Interativa - (11) 98246-3595 / (11) 2511-5541
Escola
Santa Marina - Av. Guilherme Giorgi, 430 - Vila Carrão, SP
(11) 2296-2400 –
E-mail: santamarina@santamarina.edu.br