por: Talita Eredia | design: Paola Gandolfo e Laura Salaberry | foto: Alex
Tire as crianças do sofá e coloque-as para se mexer. A medida garante, além de um corpo saudável, mais cinco anos na expectativa de vida delas. O alerta está em um grande estudo, feito com base em estatísticas, sobre o impacto da falta de exercícios físicos até os 10 anos de idade. O relatório Projetado para Se Mover, assinado pela Nike e 70 profissionais de renomadas instituições de esporte e pediatria mundiais, traz dados alarmantes. No Brasil, estima-se que metade da garotada seja acomodada. E mais: os casos de obesidade infantil triplicaram nos últimos 20 anos.
Além do ganho de peso, a pesquisa relaciona outros aspectos fisiológicos, comportamentais e até econômicos para provar que essa geração preguiça corre um grande perigo. As consequências atingem inclusive a vida profissional dessa turma no futuro. Funciona assim: quem se exercita desde cedo vai melhor nos estudos e desenvolve menos doenças. Por isso, falta menos ao trabalho e, consequentemente, ganha mais. Para Andrea Freudenheim, educadora física da Universidade de São Paulo (USP), passar os primeiros anos de vida paradão pode resultar numa espécie de analfabeto motor. "Quem não aprende a nadar quando criança terá mais dificuldade em fazer isso depois", exemplifica Andrea. "Com isso, a pessoa não usufrui de uma cultura corporal, seja para o lazer,seja para a prática esportiva", ela lamenta.
Já o médico Ricardo Barros, da Sociedade Brasileira de Pediatria, destaca os benefícios hormonais dos que colocam o corpo para suar quanto antes. "Na infância e na adolescência, o exercício ajuda no desenvolvimento e até a ganhar um pouco de altura", ele diz.
Na hora de agir para desencostar a molecada, a natureza joga a favor: a sede pelo movimento é latente e só precisa ser despertada. "Nessa fase, a ação é algo espontâneo e biológico", reforça Aylton Figueira Júnior, educador físico das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), na capital paulista. Mas vale considerar o alerta de Ademir De Marco, psicólogo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo: "A principal atividade dos pequenos é brincar, e precisamos respeitar esse direito."
Se na sua estratégia para tirar a criançada do sedentarismo os agitos ficam para o final de semana, saiba que o esforço é válido, porém não assegura a saúde de ninguém. "É melhor do que não fazer nada", concede Ayton Figueira Júnior. "Mas é só uma semente para despertar o interesse pelas práticas no restante da semana", ele acrescenta.
Nessa equação, o dossiê Projetado para Se Mover leva em conta a importância das aulas de educação física, embora os próprios profissionais da área concordem que elas são insuficientes para atingir a quantidade recomendada— uma hora por dia. Acha difícil cumprir a meta? Pois a solução está dentro de casa, segundo uma pesquisa do hospital americano National Jewish Health, de Denver. Nela, os autores demonstraram que, quando os pais são mais ativos, os filhos seguem os seus passos — no caso, literalmente, já que usaram pedômetros para fazer a medição.
"A criança percebe que os familiares têm prazer na atividade física e incorpora isso", diz Andrea Freudenheim. O segredo é não cair na armadilha da imposição. "Basta proporcionar estímulos para que o jovem sinta vontade de realizar a tarefa, sem obrigação", aconselha Katia Rubio, psicóloga da USP. Ela argumenta que o excesso de cobrança e até mesmo de exercícios pode ter o efeito inverso e causar aversão ao esporte. "É normal passar por várias modalidades e não se firmar em nenhuma", defende Ademir De Marco, da Unicamp. "Não significa que seu filho não seja dedicado ou habilidoso", ele pondera. O ideal, concluem os especialistas, é deixar a noção de fracasso de lado e apostar no aspecto recreativo. Porque vitória mesmo é fazer com que essa geração comece já a gastar muita energia longe da televisão.
Renda maior:
Os adeptos dos exercícios físicos na infância se sairiam melhor no mercado de trabalho, com salários maiores. Isso porque faltariam menos no expediente por doenças. De quebra, teriam menos despesas médicas.
Fonte:
Além do ganho de peso, a pesquisa relaciona outros aspectos fisiológicos, comportamentais e até econômicos para provar que essa geração preguiça corre um grande perigo. As consequências atingem inclusive a vida profissional dessa turma no futuro. Funciona assim: quem se exercita desde cedo vai melhor nos estudos e desenvolve menos doenças. Por isso, falta menos ao trabalho e, consequentemente, ganha mais. Para Andrea Freudenheim, educadora física da Universidade de São Paulo (USP), passar os primeiros anos de vida paradão pode resultar numa espécie de analfabeto motor. "Quem não aprende a nadar quando criança terá mais dificuldade em fazer isso depois", exemplifica Andrea. "Com isso, a pessoa não usufrui de uma cultura corporal, seja para o lazer,seja para a prática esportiva", ela lamenta.
Já o médico Ricardo Barros, da Sociedade Brasileira de Pediatria, destaca os benefícios hormonais dos que colocam o corpo para suar quanto antes. "Na infância e na adolescência, o exercício ajuda no desenvolvimento e até a ganhar um pouco de altura", ele diz.
Na hora de agir para desencostar a molecada, a natureza joga a favor: a sede pelo movimento é latente e só precisa ser despertada. "Nessa fase, a ação é algo espontâneo e biológico", reforça Aylton Figueira Júnior, educador físico das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), na capital paulista. Mas vale considerar o alerta de Ademir De Marco, psicólogo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo: "A principal atividade dos pequenos é brincar, e precisamos respeitar esse direito."
Se na sua estratégia para tirar a criançada do sedentarismo os agitos ficam para o final de semana, saiba que o esforço é válido, porém não assegura a saúde de ninguém. "É melhor do que não fazer nada", concede Ayton Figueira Júnior. "Mas é só uma semente para despertar o interesse pelas práticas no restante da semana", ele acrescenta.
Nessa equação, o dossiê Projetado para Se Mover leva em conta a importância das aulas de educação física, embora os próprios profissionais da área concordem que elas são insuficientes para atingir a quantidade recomendada— uma hora por dia. Acha difícil cumprir a meta? Pois a solução está dentro de casa, segundo uma pesquisa do hospital americano National Jewish Health, de Denver. Nela, os autores demonstraram que, quando os pais são mais ativos, os filhos seguem os seus passos — no caso, literalmente, já que usaram pedômetros para fazer a medição.
"A criança percebe que os familiares têm prazer na atividade física e incorpora isso", diz Andrea Freudenheim. O segredo é não cair na armadilha da imposição. "Basta proporcionar estímulos para que o jovem sinta vontade de realizar a tarefa, sem obrigação", aconselha Katia Rubio, psicóloga da USP. Ela argumenta que o excesso de cobrança e até mesmo de exercícios pode ter o efeito inverso e causar aversão ao esporte. "É normal passar por várias modalidades e não se firmar em nenhuma", defende Ademir De Marco, da Unicamp. "Não significa que seu filho não seja dedicado ou habilidoso", ele pondera. O ideal, concluem os especialistas, é deixar a noção de fracasso de lado e apostar no aspecto recreativo. Porque vitória mesmo é fazer com que essa geração comece já a gastar muita energia longe da televisão.
Renda maior:
Os adeptos dos exercícios físicos na infância se sairiam melhor no mercado de trabalho, com salários maiores. Isso porque faltariam menos no expediente por doenças. De quebra, teriam menos despesas médicas.
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